NOVEMBRO AZUL: Mês mundial de combate ao câncer de próstata e a diabetes

 

O que é o novembro azul?

 

A campanha do Novembro Azul é um movimento de conscientização que várias entidades, como empresas, organizações de saúde e sociedades médicas, realizam ao longo de todo o mês de novembro.

Ainda que atinja toda a sociedade, é uma campanha com foco em desenvolver nos homens a consciência a respeito do câncer de próstata envolvendo estes três aspectos da doença: prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. Essa conscientização se dá por meio de determinadas atividades e eventos educacionais, elementos que serão detalhados adiante.

 

Como surgiu o Novembro Azul?

 

A campanha do Novembro Azul iniciou-se no ano de 2003, na Austrália. Em suma, esse movimento foi inspirado em uma iniciativa denominada Movember, cuja expressão é uma combinação das palavras em inglês “moustache”, que significa “bigode”, e “november”, “novembro”.

Para incitar discussões sobre a saúde masculina e arrecadar dinheiro para pesquisa de câncer de próstata, um grupo de homens australianos deixou os bigodes crescerem em novembro. A essência dessa iniciativa acabou se espalhando com sucesso mundo afora, dando origem a várias campanhas de conscientização, entre elas, o Novembro Azul.

No Brasil em particular, a campanha do Novembro Azul começou somente em 2011, quando o Instituto Lado a Lado pela Vida iniciou a conscientização sobre a importância de os homens realizarem o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

 

O que é o câncer de próstata?

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

O câncer de próstata é o tumor mais comum entre homens com mais de 50 anos. De acordo com estatísticas americanas, um em cada oito homens desenvolverá câncer de próstata no decorrer da vida. No entanto, somente um homem em cada 41 morrerá da doença. Ele é responsável por cerca de 10% de todas as mortes provocadas por câncer em pacientes do sexo masculino no Brasil, ficando atrás apenas do tumor de pulmão.

A próstata é responsável pela produção dos nutrientes e fluidos que constituem o esperma. Está situada logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Por seu interior, passa a uretra, detalhe anatômico que explica o motivo das alterações prostáticas originarem dificuldade para urinar, queixa comum nos homens com mais de 50 anos. Geralmente, essa dificuldade é causada pelo crescimento benigno da próstata, que ocorre com o avançar da idade e recebe o nome de hiperplasia prostática benigna.

O câncer de próstata se instala numa área qualquer da glândula; à medida que cresce, vai ocupando gradativamente os lobos direito e esquerdo da próstata. Nas fases mais avançadas, invade por continuidade a cápsula que reveste o órgão, para depois chegar aos tecidos ao seu redor, incluindo as vesículas seminais.

Em tumores mais volumosos, o paciente sente dificuldade para urinar, ardor e jato urinário fraco, acorda à noite várias vezes para urinar, apresenta gotejamento de urina após completar a micção e, mais raramente, queixa-se de dor e da presença de sangue na urina e no esperma. Com o passar do tempo, as células malignas atingem os linfonodos da região, caem na corrente sanguínea e se espalham para outros órgãos.

Caracteristicamente, apresentam grande predileção pelo tecido ósseo, onde conseguem permanecer por muitos anos antes de passar para outros tecidos.

 

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

Anatomia da próstata com visão anterior do órgão (A). Anatomia da próstata com visão lateral do órgão (B).

 

Quais os tipos de câncer de próstata?

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

 

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

 

Adenocarcinomas

São responsáveis por 95% dos tumores malignos de próstata. Podem ser de baixo grau, grau intermediário e alto grau. Os tumores de baixo grau são formados por células bem diferenciadas, que guardam certa semelhança com as células prostáticas normais. Os de alto grau são compostos de células com alto índice de proliferação, muito diferentes do tecido normal da próstata.

 

Tipos mais raros de câncer de próstata

Os demais 5% incluem tipos bem mais raros: carcinomas de pequenas células, sarcomas e linfomas. Quando alguém cita o câncer de próstata, está se referindo ao adenocarcinoma e não a esses tipos histológicos mais raros.

 

 

PREVENÇÃO

 

Embora haja controvérsias, os exames para o diagnóstico precoce do câncer de próstata devem ser realizados anualmente e incluem dosagem do PSA e toque retal.

 

Para a maioria dos homens, recomenda-se que esses exames comecem a ser feitos aos 50 anos, e que sejam repetidos anualmente. Para os indivíduos negros e para aqueles com parentes de primeiro grau com história de câncer de próstata (pai e irmãos), os exames estão indicados a partir 40 anos.

 

Caso o PSA apresente valores acima de 2,5 ng/mL, 3,5 ng/mL e 4,0 ng/mL em indivíduos entre 40-50, 50-60 e > 60 anos, respectivamente, e nos casos em que o PSA aumente significativamente de um ano para outro, a maioria dos urologistas indica uma investigação complementar (por ressonância ou mesmo biópsia da próstata).

 

É importante deixar claro que existem causas benignas de aumento do PSA: infecção urinária, prostatites, hipertrofia benigna da próstata, etc. Outro sinal de alerta é a presença de um nódulo na próstata ao toque retal.

Mesmo não havendo consenso, alguns estudos sugerem que dietas pobres em gordura e carnes vermelhas, mas ricas em grãos, cereais, frutas e vegetais podem proteger contra o aparecimento da doença.

 

Nessa linha, tomate cozido, por conter alto teor de licopeno (substância antioxidante) e soja também parecem auxiliar na prevenção do câncer. Por outro lado, dietas ricas em vitamina E selênio não parecem ter nenhum efeito protetor.

 

Algumas medicações com ação anti-hormonal são estudadas na prevenção. A mais avaliada foi a finasterida. Estudos com milhares de homens sugerem que a finasterida reduz o risco de desenvolver a doença, porém essa redução ocorre principalmente no caso dos tumores de baixa agressividade, que geralmente não colocam a vida em risco. Além disso, a finasterida é um medicamento relativamente caro e pode interferir na libido e na potência sexual.

 

Os principais fatores de risco são:

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 Idade

É doença extremamente rara abaixo dos 40 anos. A incidência começa a aumentar a partir dos 50 anos. Dois em cada três pacientes com essa doença têm mais que 65 anos quando recebem o diagnóstico.

 

História familiar

Ter um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de próstata aumenta duas vezes a probabilidade de desenvolver a doença. O risco é maior quando o parente afetado é um irmão e quando há mais de um caso na família.

 

Raça

Homens negros correm mais risco e tendem a desenvolver tumores mais agressivos.

 

Dieta

Alguns estudos sugerem que dietas hipercalóricas, ricas em gorduras e pobres em fibras, frutas e vegetais aumentam o risco, mas o tema é controverso.

 

Obesidade

É possível que homens obesos corram mais risco.

 

 

Diagnóstico

 

Devemos pensar na hipótese de câncer de próstata quando ocorre elevação dos níveis de PSA, na presença de um nódulo ao exame de toque retal, de alguma alteração na ultrassonografia ou dos sintomas.

 

O principal exame para chegar ao diagnóstico de câncer de próstata é a biópsia, que deve ser realizada sob anestesia. É inaceitável realizá-la a sangue frio. A técnica exige a visualização da próstata, por meio do aparelho de ultrassonografia acoplado a uma sonda introduzida no reto.

 

Uma agulha especial é inserida no reto e guiada pelo aparelho de modo a alcançar várias partes dos lobos direito e esquerdo da próstata, incluindo as áreas suspeitas.

 

Geralmente, são retirados de 12 a 18 fragmentos. O procedimento leva de 15 a 30 minutos. Por alguns dias depois do procedimento, o paciente eventualmente se queixa de um leve incômodo na região anal, podendo também ocorrer a presença de sangramento na urina e no esperma.

 

O tecido retirado irá para exame anatomopatológico. O patologista examinará o aspecto das células malignas para classificá-las de acordo com escore de ISUP (sociedade internacional de patologia urológica, em inglês) ou Gleason (nome do patologista que o criou), pois, como os tumores malignos de próstata são muito heterogêneos, pode haver áreas com células de aspecto mais agressivo e outras de aparência mais benigna.

 

Gleason estabeleceu um sistema de pontos, que vão de 1 a 5, para caracterizar o aspecto microscópico das células. Segundo esse sistema, 1 ponto é dado quando as células são mais diferenciadas (muito semelhantes ao tecido prostático normal), e 5 quando são mais indiferenciadas, ou seja, mais agressivas. A pontuação de 2 a 4 é usada para casos intermediários, no sentido da menor para a maior agressividade.

 

A nota final do escore de Gleason representa a soma da pontuação dos dois tipos de células tumorais mais frequentes na amostra analisada. Por exemplo, se um tumor é classificado como Gleason 7 (4+3), significa que o tipo de célula maligna mais comum na amostra recebeu 4 pontos, enquanto o segundo tipo mais frequente recebeu 3. A somatória dos dois tipos mais frequentes em uma amostra é no mínimo 2 e no máximo 10.

 

Quanto mais baixo o escore, menos agressivo o tumor, e vice-versa. Tumores com Gleason de 2 a 6 apresentam prognóstico mais favorável, ao contrário dos com Gleason de 8 a 10. Os casos com Gleason 7 são classificados como de médio risco.

 

Em algumas ocasiões, não se estabelece nem o resultado de malignidade nem o de benignidade após a biópsia, gerando o laudo clássico de uma lesão suspeita. Nesse grupo encontram-se a neoplasia prostática intraepitelial (PIN, sigla em inglês) e a proliferação atípica de células acinares (ASAP, sigla em inglês), que podem, às vezes, evoluir para câncer.

 

Na PIN, as células se parecem diferentes daquelas usuais do tecido prostático normal, porém não apresentam características de infiltração ou invasão dos tecidos prostáticos mais profundos. A PIN divide-se em baixo grau e alto grau.

 

O mais perigoso é a PIN de alto grau, cujas células se parecem menos com as células da próstata. Cerca de 20% dos pacientes com PIN de alto grau têm câncer de próstata ou vão desenvolvê-lo. Esses casos exigem acompanhamento mais cauteloso e novas biópsias.

 

Na ASAP, as células parecem-se malignas, porém o patologista não reúne todos os critérios para firmar esse diagnóstico. Como cerca de 40% dos pacientes com ASAP desenvolverão câncer de próstata, eles devem ser acompanhados com cuidado.

 

Outros exames que podem auxiliar no diagnóstico e na avaliação da extensão da doença são: ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética com bobina endorretal.

 

Sintomas

 

Graças aos exames preventivos e à maior consciência da população, boa parte dos diagnósticos é feita antes que o tumor provoque sintomas. No entanto, nos casos mais avançados podem surgir:

 

 

Sintomas urinários obstrutivos e irritativos

Embora possam estar presentes no câncer de próstata, são também muito comuns no aumento benigno da próstata.

 

Sintomas causados pela invasão de estruturas vizinhas

Dores pélvicas, dor ou sangramento retal e inchaço das pernas são consequências do comprometimento dos linfonodos da região.

 

Sintomas da doença metastática

Perda de peso e apetite, anemia, cansaço e dores ósseas decorrentes de metástases ósseas são os mais comuns. Também podem surgir, apesar de incomumente:

 

  • Pele amarelada;
  • Náuseas e vômitos;
  • Manifestações indicativas de metástases hepáticas (em casos mais raros);
  • Falta de ar e tosse, como consequência de disseminação pulmonar ou pleural (em casos mais raros).

 

 

Tratamento

 

Estádios I e II

Os pacientes em quem a doença está restrita à próstata e não invade sua cápsula (Estádios I e II) podem ser tratados de três formas distintas: com cirurgia, radioterapia ou observação vigilante.

 

Câncer encontrado ao acaso ou por aumento do PSA e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

  Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

Câncer encontrado graças à presença de um nódulo na próstata, localizado em um só lado, confinado à glândula e o tratamento específico para essa fase da doença (Estádio IIA). Câncer encontrado graças à presença de nódulo(s), localizado em ambos os lados, confinado à glândula e o tratamento específico para essa fase da doença (Estádio IIB).

 

                                            Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

As três apresentam taxas de sucesso muito parecidas, com vantagens e desvantagens particulares a cada procedimento.

 

Cirurgia

A cirurgia chamada prostatectomia radical consiste na remoção de toda a próstata, das vesículas seminais e, por vezes, dos linfonodos regionais. É obrigatória a retirada da próstata inteira porque, na maioria das vezes, o tumor é multifocal, isto é, encontra-se nos dois lobos. As complicações mais temíveis são a disfunção erétil (30% a 60% dos casos) e a possibilidade de incontinência urinária grave (9%).

 

O risco de disfunção erétil é maior depois dos 65 anos de idade. A prostatectomia radical pode ser feita por via aberta, por via laparoscópica ou por robótica.

 

A cirurgia robótica, considerada uma evolução da técnica cirúrgica, permite, segundo alguns cirurgiões, maior precisão na retirada da próstata, melhor visualização do campo operatório e menos sangramento no pós-operatório. No entanto, os resultados oncológicos, como as taxas de cura, chances de incontinência urinária e impotência sexual, são semelhantes aos da cirurgia aberta.

 

Nos pacientes operados, o PSA deve cair para valores menores do que 0,1 ng/mL (em geral, fica indetectável). Se, no futuro, ocorrerem elevações progressivas do PSA, é possível irradiar a área na qual se alojava a próstata antes da cirurgia, para tratar possível recidiva local. Nos casos de aumento de PSA após cirurgia ou radioterapia, deve ser solicitado o exame chamado PET-scan com PSMA, que é um marcador específico para câncer de próstata.

 

Mais recentemente, estudos demonstraram que associar tratamento hormonal, que suprime a produção de testosterona pelo testículo, pode oferecer, em conjunto com a radioterapia, maiores taxas de sucesso. A radioterapia deve ser administrada no leito prostático que foi operado e ocasionalmente também para os linfonodos da pelve.

 

 

Radioterapia

São empregadas duas formas de radioterapia: a externa e a interna, também chamada de braquiterapia.

Na radioterapia externa, o tumor de próstata é enquadrado no campo de radiação, através de exames de imagem e de cálculos matemáticos. O tratamento tem a duração aproximada de sete a oito semanas (de segunda a sexta-feira).

As técnicas de radioterapia evoluíram bastante nas últimas décadas. Hoje é possível dirigir os raios com precisão de modo a atingir predominantemente a próstata, poupando ao máximo o reto e a bexiga. Ainda assim, técnicas modernas como a IMRT (radioterapia de intensidade modulada) causam inflamação de reto e bexiga em cerca de 10% a 15% dos pacientes.

As inflamações de reto e bexiga provocam: ardência no reto ou nas vias urinárias, sangramento na urina ou fezes, diarreia, urgência para evacuar e para urinar. Esses sintomas são transitórios, mas em alguns casos chegam a durar meses. Entretanto, as taxas de incontinência urinária induzidas pela radioterapia são baixíssimas, se comparadas às causadas pela cirurgia. Já as taxas de disfunção erétil causadas pela radioterapia são pouco menores do que as da cirurgia.

A braquiterapia é uma técnica que se baseia na colocação de sementes radioativas no interior da próstata, introduzidas por via retal, sob anestesia. O procedimento é realizado em um único dia, e não requer internação hospitalar. Os efeitos colaterais são parecidos com os da radioterapia externa, mas menos intensos.

Apesar de os pacientes operados ainda poderem receber radioterapia direcionada à área na qual se alojava a próstata antes da cirurgia, a recíproca não é verdadeira: operar recidivas locais pós-radioterapia exige cirurgias com taxa alta de complicações, e são raramente indicadas

 

 

Observação vigilante (active surveillance)

Nas últimas décadas, surgiram muitos estudos para identificar fatores prognósticos no câncer de próstata que permitam separar os tumores agressivos daqueles de evolução lenta, que não comprometem a qualidade nem a duração da vida, em particular em estádios precoces, como I e IIA.

 

Tumores com baixo potencial de agressividade representam de 15% a 56% de todos os casos de câncer de próstata, conforme algumas publicações. Estudos bem conduzidos que avaliaram a estratégia de observação vigilante sem tratamento imediato (conhecida como active surveillance) mostraram que o risco de morrer de câncer de próstata nesses casos é menor que 1%.

 

Além disso, cerca de dois terços dos pacientes não necessitaram de nenhuma forma de tratamento; aqueles que foram tratados posteriormente apresentaram as mesmas chances de cura. Os pacientes com tumores bem diferenciados (ex. com escore de Gleason de 6) e confinados à próstata e com baixos valores de PSA são os melhores candidatos para essa estratégia. Mais recentemente, um teste chamado oncotype®, avalia a partir da amostra da biópsia um conjunto de genes que controla o comportamento biológico da doença. Este teste pode ser vir como uma ferramenta adicional para selecionar, com mais cuidado e segurança, os pacientes que optam pela estratégia de observação vigilante.

 

Portanto, essa estratégia, quando bem indicada, evita os efeitos colaterais, o sofrimento e os gastos associados ao tratamento.

 

 

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

Estádios III e IVA

Quando o tumor infiltra os tecidos ao redor da próstata, como vesícula seminal (Estádio IIIA), reto (Estádio IIIB) e bexiga (Estádio IIIC), ou atinge os linfonodos pélvicos (Estádio IVA), o tratamento indicado é a radioterapia combinada com hormonioterapia. Em alguns casos, opta-se pela cirurgia muitas vezes seguida pela radioterapia pós-operatória e, ocasionalmente, tratamento hormonal. Mais recentemente, naqueles casos mais avançados ou de maior risco se tem associado também novos agentes inibidores hormonais orais além da terapia anti-hormonal clássica injetável.

 

Câncer infiltrando os tecidos ao redor da próstata, como vesícula seminal (Estádio IIIA), reto (Estádio IIIB) e bexiga (Estádio IIIC), e o câncer que se espalhou para os linfonodos (Estádio IVA) com o tratamento específico para estas fases da doença.

 

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

Radioterapia combinada com hormonioterapia

Nesses casos, um dos tratamentos de escolha é a radioterapia externa, dirigida à próstata e aos linfonodos regionais, em combinação com a hormonioterapia. A hormonioterapia tem como finalidade diminuir os níveis de testosterona do organismo. Em geral, se inicia a hormonioterapia juntamente com o início da radioterapia, mantendo-a por um período de três anos. A testosterona estimula o crescimento do câncer de próstata. Ao “cortar” essa fonte de energia do tumor, as células tumorais tendem a morrer ou ficar paralisadas.

 

Cirurgia

Em algumas situações especiais, a prostatectomia pode ser indicada em casos mais avançados, desde que associada à radioterapia e/ou ao tratamento hormonal.

 

Estádio IVB

 

Quando o câncer atinge os ossos ou outros órgãos, o tratamento indicado é a hormonioterapia e, quando ele se torna resistente ao tratamento hormonal, recomenda-se a quimioterapia.

 

Câncer que se espalhou para os ossos ou outros órgãos e o tratamento específico para essa fase da doença.

 

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

Hormonioterapia

Nos pacientes com envolvimento ósseo ou de outros órgãos, o tratamento de escolha é a hormonioterapia. A probabilidade de resposta a essa forma de tratamento é maior que 85%, mas, ao contrário da radioterapia e da cirurgia, na doença localizada, o tratamento hormonal tem a capacidade de controlar, mas não de curar o câncer.

Na prática, a hormonioterapia do câncer de próstata consiste em privar o organismo da testosterona, o que pode ser feito de duas formas: pela orquiectomia (remoção cirúrgica dos testículos) ou pelo bloqueio com medicamentos que impedem os testículos de produzir a testosterona, hormônio masculino que alimenta o câncer de próstata.

As duas drogas injetáveis mais utilizadas para o bloqueio hormonal medicamentoso são a gosserrelina e a leuprolida.

Mais recentemente, diversos estudos demonstraram o efeito benéfico aditivo de novos agentes inibidores hormonais orais no tratamento combinado do câncer de próstata avançado.

Os principais exemplos destas medicações são a abiraterona, enzalutamida, apalutamida e darolutamida.

A combinação da hormonioterapia injetável com estes novos agentes inibidores hormonais orais foi associada a maior longevidade nos pacientes com doença avançada, além de proporcionar uma melhora na qualidade de vida.

A diminuição dos níveis de testosterona no homem está associada a efeitos colaterais importantes, como perda da ereção e da libido, possibilidade de diminuição de massa muscular e óssea, aumento do volume das mamas, sensação de ondas de calor e aumento do risco de doença cardiovascular.

Embora a hormonioterapia seja bastante eficaz nas fases iniciais, as células malignas eventualmente se tornam resistentes ao tratamento hormonal, situação esta que chamamos de câncer de próstata castração resistente. Neste cenário, devem ser utilizados os novos agentes inibidores hormonais orais, caso já não tenham sido utilizados previamente. Após a falha destes novos agentes inibidores hormonais orais, podem ser administradas outras opções de tratamento a seguir abaixo.

 

Quimioterapia

Atualmente, o principal uso da quimioterapia é para aqueles pacientes que falharam os tratamentos hormonais prévios injetáveis e orais.

 

Entretanto, em alguns casos, principalmente quando os novos agentes inibidores hormonais não estão disponíveis, a quimioterapia pode ser inclusive administrada no início juntamente com a hormonioterapia injetável como primeiro tratamento da doença avançada.

As drogas mais usadas são o docetaxel (como primeiro tratamento quimioterápico) e o cabazitaxel (quando o docetaxel para de funcionar), ambas administradas por via endovenosa, a cada três semanas.

O objetivo da quimioterapia é reduzir a massa tumoral e controlar a doença para atenuar os sintomas (em particular a dor óssea), além de melhorar a sobrevida e a qualidade de vida.

 

Radiofármacos

Uma outra arma contra o câncer de próstata são os radiofármacos. Um medicamento chamado Rádio-223, administrado por via endovenosa a cada 4 semanas por 6 aplicações, age emitindo uma micro-radiação e causando morte dos tumores metastáticos de próstata que se alojam no osso.

Este medicamento associou-se ao aumento da longevidade dos pacientes, melhor qualidade de vida, e menores complicações ósseas (dor, fratura, compressão de nervos) secundárias as metástases.

Em geral é bem tolerada e seu uso é restrito aos pacientes que deixaram de responder à hormonioterapia e têm metástases ósseas exclusivas.

Mais recentemente, outras drogas desta classe estão sendo estudadas, como o Lutécio-177 (droga radioativa) ligada a uma proteína específica da célula prostática maligna, chamada PSMA, e que em estudos mostram respostas animadoras em pacientes que falharam vários tratamentos.

 

Drogas alvo dirigidas

Aproximadamente 10-15% dos homens com câncer de próstata apresentam mutações dos genes de reparo do DNA, sendo a mutação mais comum à do BRCA2 (similar à do câncer de mama).

Nos casos que o câncer de próstata já falhou à hormonioterapia prévia e também apresentam mutação nos genes de reparo de DNA, indica-se um remédio chamado olaparibe, que age impedindo que a célula tumoral consiga reparar o dano causado pelos tratamentos.

Este tratamento pode causar respostas animadoras em pacientes que falharam vários tratamentos.

 

Medicações que fortalecem os ossos

Além das medicações descritas, aquelas que fortalecem os ossos estão indicadas para prevenir futuras complicações. A medicação mais utilizada, da classe dos bifosfonados, é o ácido zoledrônico, administrado por via endovenosa, a cada quatro semanas. Outra medicação usada para essa finalidade é o denosumabe, este administrado por via subcutânea.

 

Radioterapia

A radioterapia paliativa pode reduzir a dor das metástases ósseas e evitar fraturas das lesões que escaparam do controle hormonal e quimioterápico.

 

O câncer de próstata geralmente demora anos para crescer a ponto de ameaçar a vida, mas pode ser agressivo em alguns casos. As características que permitem avaliar o comportamento da doença estão descritas abaixo:

 

Imagem retirada do site vencer o câncer.

 

Fatores clínicos, laboratoriais e anatomopatológicos que auxiliam na determinação do grau de agressividade do câncer de próstata.

 

O que é a Diabete?

 

Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). Pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas chamadas células beta . A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação resulta portanto em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia.

 

Classificação do Diabetes

 

Sabemos hoje que diversas condições que podem levar ao diabetes, porém a grande maioria dos casos está dividida em dois grupos: Diabetes Tipo 1 e Diabetes Tipo 2.

 

Diabetes Tipo 1 (DM 1) – Essa forma de diabetes é resultado da destruição das células beta pancreáticas por um processo imunológico, ou seja, pela formação de anticorpos pelo próprio organismo contra as células, beta levando a deficiência de insulina. Nesse caso podemos detectar em exames de sangue a presença desses anticorpos que são: ICA, IAAs, GAD e IA-2. Eles estão presentes em cerca de 85 a 90% dos casos de DM 1 no momento do diagnóstico. Em geral costuma acometer crianças e adultos jovens, mas pode ser desencadeado em qualquer faixa etária.

O quadro clínico mais característico é de um início relativamente rápido (alguns dias até poucos meses) de sintomas como: sede, diurese e fome excessivas, emagrecimento importante, cansaço e fraqueza. Se o tratamento não for realizado rapidamente, os sintomas podem evoluir para desidratação severa, sonolência, vômitos, dificuldades respiratórias e coma. Esse quadro mais grave é conhecido como Cetoacidose Diabética e necessita de internação para tratamento.

 

Diabetes Tipo 2 (DM 2) – Nesta forma de diabetes está incluída a grande maioria dos casos (cerca de 90% dos pacientes diabéticos). Nesses pacientes, a insulina é produzida pelas células beta pancreáticas, porém, sua ação está dificultada, caracterizando um quadro de resistência insulínica. Isso vai levar a um aumento da produção de insulina para tentar manter a glicose em níveis normais. Quando isso não é mais possível, surge o diabetes. A instalação do quadro é mais lenta e os sintomas – sede, aumento da diurese, dores nas pernas, alterações visuais e outros – podem demorar vários anos até se apresentarem. Se não reconhecido e tratado a tempo, também pode evoluir para um quadro grave de desidratação e coma.

Ao contrário do Diabetes Tipo 1, há geralmente associação com aumento de peso e obesidade, acometendo principalmente adultos a partir dos 50 anos. Contudo, observa-se, cada vez mais, o desenvolvimento do quadro em adultos jovens e até crianças. Isso se deve, principalmente, pelo aumento do consumo de gorduras e carboidratos aliados à falta de atividade física. Assim, o endocrinologista tem, mais do que qualquer outro especialista, a chance de diagnosticar o diabetes em sua fase inicial, haja visto a grande quantidade de pacientes que procuram este profissional por problemas de obesidade.

 

Outros Tipos de Diabetes – Outros tipos de diabetes são bem mais raros e incluem defeitos genéticos da função da célula beta (MODY 1, 2 e 3), defeitos genéticos na ação da insulina, doenças do pâncreas (pancreatite, tumores pancreáticos, hemocromatose), outras doenças endócrinas (Síndrome de Cushing, hipertireoidismo, acromegalia) e uso de certos medicamentos.

 

Diabetes Gestacional – Atenção especial deve ser dada ao diabetes diagnosticado durante a gestação. A ele é dado o nome de Diabetes Gestacional. Pode ser transitório ou não e, ao término da gravidez, a paciente deve ser investigada e acompanhada.. Na maioria das vezes ele é detectado no 3o trimestre da gravidez, através de um teste de sobrecarga de glicose. As gestantes que tiverem história prévia de diabetes gestacional, de perdas fetais, má formações fetais, hipertensão arterial, obesidade ou história familiar de diabetes não devem esperar o 3º trimestre para serem testadas, já que sua chance de desenvolverem a doença é maior.

 

Como Posso Saber se Estou Diabético?

 

O diagnóstico laboratorial pode ser feito de três formas e, caso positivo, deve ser confirmado em outra ocasião. São considerados positivos os que apresentarem os seguintes resultados:

 

1) glicemia de jejum > 126 mg/dl (jejum de 8 horas)
2) glicemia casual (colhida em qualquer horário do dia, independente da última refeição realizada (> 200 mg/dl em paciente com sintomas característicos de diabetes.
3) glicemia > 200 mg/dl duas horas após sobrecarga oral de 75 gramas de glicose.

 

Existem ainda dois grupos de pacientes, identificados por esses mesmos exames, que devem ser acompanhados de perto pois tem grande chance de tornarem-se diabéticos. Na verdade, esses pacientes já devem ser submetidos a um tratamento preventivo que inclui mudança de hábitos alimentares, prática de atividade física ou mesmo a introdução de medicamentos. São eles:

(a) glicemia de jejum > 110mg/dl e < 126 mg/dl.
(b) glicemia 2 horas após sobrecarga de 75 gr de glicose oral entre 140 mg/dl e 200 mg/dl

 

O diagnóstico precoce do diabetes é importante não só para prevenção das complicações agudas já descritas, como também para a prevenção de complicações crônicas.

 

A Importância do Acompanhamento Médico

É importante que o paciente compareça às consultas regularmente, conforme a determinação médica, nas quais ele deverá receber orientações sobre a doença e seu tratamento. Só um especialista saberá indicar de forma correta:

 

  • a orientação nutricional adequada,
    • como evitar complicações,
    • como usar insulina ou outros medicamentos,
    • como usar os aparelhos que medem a glicose (glicosímetros) e as canetas de insulina,
    • fornecer orientações sobre atividade física,
    • fornecer orientações de como proceder em situações de hipo e de hiperglicemia.

 

Esse aprendizado é fundamental não só para o bom controle do diabetes como também para garantir autonomia e independência ao paciente. É muito importante que ele realize suas atividades de rotina, viajar ou praticar esportes com muito mais segurança. É importante o envolvimento dos familiares com o tratamento do paciente diabético, visto que, muitas vezes, há uma mudança de hábitos, requerendo a adaptação de todo núcleo familiar.

 

Por que Tratar a Hiperglicemia?

 

A hiperglicemia é a elevação das taxas de açúcar no sangue e que deve ser controlada. Sabe-se que a hiperglicemia crônica através dos anos está associada a lesões da microcirculação, lesando e prejudicando o funcionamento de vários órgãos como os rins, os olhos, os nervos e o coração. Os pacientes que conseguem manter um bom controle da glicemia têm uma importante redução no risco de desenvolver tais complicações como já ficou demonstrado em vários estudos científicos.

 

Pacientes com Diabetes Tipo 2 não diagnosticado tem risco maior de apresentar acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e doença vascular periférica do que pessoas que não têm diabetes. Isso reforça a necessidade de um diagnóstico precoce que permita evitar tais complicações.

 

 

A Automonitorização

 

Para obter um melhor controle dos níveis glicêmicos, não basta o paciente apenas acreditar que está fazendo tudo corretamente ou ter a sensação de estar sentindo-se “bem”. É necessário monitorar, no dia-a-dia, os níveis glicêmicos. Para isso, existem modernos aparelhos, os glicosímetros, de fácil utilização e que nos fornecem o resultado da glicemia em alguns segundos. Siga as orientações do seu médico quanto ao número de testes que deve ser realizado.

O objetivo desse controle não é só corrigir as eventuais hiperglicemias que ocorrerão, mas também tentar manter a glicemia o mais próximo da normalidade, sem causar hipoglicemia.

Quanto melhor o controle, maior o risco de hipoglicemia, daí a importância também da monitorização da glicemia mais vezes tanto para evitar a hipo, como também para que não se coma em excesso na correção dela, o que invalidaria os esforços para manter o controle. A monitorização permite que o paciente, individualmente, avalie sua resposta aos alimentos, aos medicamentos (especialmente à insulina) e à atividade física praticada.

 

Exames de Rotina

 

De acordo com a necessidade, as consultas devem ser mensais, bimestrais ou trimestrais, com eventuais contatos por telefone ou fax, com envio da monitorização glicêmica. Nas consultas são solicitados os exames que devem incluir a glicemia, a hemoglobina glicada trimestral (que dá a média da glicemia diária nos últimos 2 a 3 meses), função renal anual (uréia, creatinina, pesquisa de micralbuminúria), perfil lipídico anual ou semestral, avaliação oftalmológica anual, avaliação cardiológica. Os demais exames devem ser solicitados de acordo com a necessidade individual do paciente.

 

Ambas as doenças tem direito a aposentadoria?

Toda e qualquer doença que te impeça de exercer suas atividades e o seu trabalho para ganhar a condição de se sustentar deve sim te dar o direito de uma aposentadoria por incapacidade permanente, desde que a doença seja comprovada como permanente, no caso de ter um bom tratamento pode ser concedido o auxílio por incapacidade temporária ou o BPC/Loas para pessoas que não contribuem com o INSS, em caso de ter lesões ou complicações após a doença é sim possível conseguir a aposentadoria.

 

O que preciso para iniciar o afastamento?

Primeiro de tudo, após ser diagnosticado deve juntar toda a sua documentação medica, como:

 

  • Laudos
  • Atestado
  • Exames
  • Receitas
  • Demais documentos médicos, que possuir.

 

Após juntar toda a documentação medica, devera entrar em contato com o INSS através dos canais de comunicação, 135, gov.br, MEU INSS, e solicitar uma pericia medica.

 

Na pericia medica deve apresentar toda essa documentação e o perito vai avaliar se é necessário uma aposentadoria ou somente um auxilio, caso perceba que a decisão foi injusta ou não concordar com a decisão do perito pode recorrer de forma administrativa ou judicial.

 

Segue abaixo algumas indicações de livros caso queira saber um pouco mais sobre o Câncer de próstata e sobre diabetes:

 

  • Vencer o câncer de próstata – Autor: Fernando Cotait Maluf
  • 49 perguntas sobre câncer de próstata – Autor: Jean Ikonomidis
  • Câncer de Próstata – Novos Caminhos para a Cura – Autor: Luiz Alberto Fagundes
  • Tudo o Que Sempre Quis Saber sobre Próstata – Autor: José Santos Dias
  • A jornada de um diabético: um livro de memórias – Lucy Ana Krasno
  • Pense como um pâncreas: um guia prático para controlar o diabetes com insulina – Gary Scheiner
  • Sugar Surfing: Como gerenciar o diabetes tipo 1 em um mundo moderno – Stephen W. Pondes
  • Solução de Diabetes do Dr. Bernstein: O guia completo para alcançar açúcar no sangue normal – Richard K. Bernstein

 

 

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Fontes:

Livros:

  • Vencer o câncer de próstata – Autor: Fernando Cotait Maluf
  • 49 perguntas sobre câncer de próstata – Autor: Jean Ikonomidis
  • Câncer de Próstata – Novos Caminhos para a Cura – Autor: Luiz Alberto Fagundes
  • Tudo o Que Sempre Quis Saber sobre Próstata – Autor: José Santos Dias
  • A jornada de um diabético: um livro de memórias – Lucy Ana Krasno
  • Pense como um pâncreas: um guia prático para controlar o diabetes com insulina – Gary Scheiner
  • Sugar Surfing: Como gerenciar o diabetes tipo 1 em um mundo moderno – Stephen W. Pondes
  • Solução de Diabetes do Dr. Bernstein: O guia completo para alcançar açúcar no sangue normal – Richard K. Bernstein

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